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O ensaio do fim do mundo

O ENSAIO DO FIM DO MUNDO Na curva do S, o tempo não passa, ele permanece. Ali, onde a terra já foi rasgada pela violência, hoje se ergue memória. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra retorna não apenas para ocupar, mas para ensinar, lembrar e resistir. Durante o Acampamento Pedagógico de 2024, o território se transformou em sala de aula viva. Entre barracos de lona, cozinhas coletivas e rodas de conversa, o cotidiano se constrói como gesto político e também como afeto. Mas há algo no ar. A paisagem, marcada por cicatrizes, convive com um outro tipo de silêncio. Um silêncio que não é ausência, é acúmulo. De histórias. De lutas. De ausências que ainda ecoam. As imagens desta galeria não buscam respostas. Elas caminham entre presenças. Entre olhares atentos, mãos que constroem, corpos que permanecem. Entre o passado que insiste em não ser esquecido e o futuro que ainda está em disputa. Aqui, a fotografia não é testemunha distante. Ela é atravessada. Porque na curva do S, não se registra apenas o que se vê. Registra-se o que permanece. E o que ainda está por vir.
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